segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Mercado de trabalho desarmónico

Procurar trabalho aos vinte anos é tão complicado como aos trinta. Ainda mais difícil é conseguirmos obter uma experiência profissional que nos satisfaça. E isso em qualquer idade. O que mais vejo são perfis desconexos com a sua vida laboral. Pessoas insatisfeitas com o que fazem e que transbordam isso. Seja em incompetência. Seja numa antipatia gratuita a quem só pretende a prestação do serviço que buscou.
Complexo, quando o mercado de trabalho exige experiência a quem tem pouca idade, e exige o mesmo a quem apesar de ter idade suficiente, foi obrigado a seguir um percurso profissional devido às suas necessidades financeiras e à vida que não lhe permitiu outras escolhas.

Experientes em recursos humanos consideram que o adequado é manter as pessoas em seus percursos profissionais. Muito embora, a médio prazo fatidicamente venham a tornar-se maus colaboradores. O importante é a experiência. Pelo menos é a isso que se focam em processos de recrutamento. Ao invés de se focarem no que realmente move as pessoas. Tão difícil será compreender que uma pessoa só pode ter uma carreira de sucesso se tiver paixão pelo que faz? Tão difícil será perceberem que uma empresa só terá sucesso se os seus colaboradores tiverem paixão pelo que fazem?

Não quero dizer com isto que as pessoas não precisam de possuir qualificações. E tão pouco que isso não seja importante. Mas acredito que seja possível fazer um melhor enquadramento do perfil profissional de cada um, com foco naquilo que as move verdadeiramente.

Outra questão relevante são os ordenados. Por maior que seja a paixão pelo que se faz. Ninguém pode sentir-se verdadeiramente satisfeito a trabalhar para receber um ordenado mínimo. Ninguém terá interesse no sucesso da empresa para a qual trabalha, principalmente se estivermos a falar de uma grande empresa.

Temos assim um mercado de trabalho desarmônico, utópico, que procura jovens de vinte anos, imaturos o suficiente para serem explorados, mas com a experiência necessária para não serem ensinados. E que começa a descartar profissionais com trinta anos de idade, como se a experiência adquirida e tão exigida há dez anos já não fosse relevante.