segunda-feira, 24 de agosto de 2015

#009 Não


Não. Não quero ter aquela curvatura. Os ombros descaídos. Aquele sentido de perda. De forças. De vida. De tudo. Não quero. Não quero as pernas cansadas. A respiração ofegante ao subir uns degraus. Não quero aquele corpo flácido. Aquela pele enrugada. Aquela memória perdida. E aquela puerilidade que retorna. 

Não quero os fios de cabelo brancos. E nem um sorriso obscuro. Não quero a sensação do vazio. De nada cá estar a fazer. De perda de vitalidade. Ou perda do sabor da vida.

Quero manter a energia. A força. A consciência. Quero um corpo que se adapte. Se transforme. Mas não perca as suas capacidades. Ser flexível à vida.